DOMÍNIO ORIENTAL NAS MONTANHAS: Japão e China reescrevem a hierarquia do Snowboard.
Com pódio triplo japonês e a consagração do fenômeno chinês Yiming Su, o Parque de Neve de Livigno testemunhou a queda da hegemonia ocidental no Slopestyle; Paulo Henrique Gomes analisa a precisão técnica que definiu o Dia 12.
Paulo Henrique Gomes, correspondente internacional, direto de Milão, Itália | Portal Hora da Notícia.
Publicação: quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026 | Horário de Brasília: 16:40/ Horário Local: 20:40.
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| Japão e China dominam o Snowboard Slopestyle em Milano-Cortina 2026 e reescrevem a hierarquia da modalidade. |
Fala, galera do Portal Hora da Notícia! Se vocês achavam que o Snowboard era um território exclusivo dos norte-americanos e escandinavos, o dia de hoje em Livigno veio para virar o jogo de cabeça para baixo. O que vimos no Parque de Neve não foi apenas esporte radical; foi uma exibição de gala da Ásia, que agora dita o ritmo, o estilo e, principalmente, a nota técnica no Slopestyle.
O Japão sai de campo — ou melhor, da montanha — com uma medalha de cada cor no peito, enquanto a China reafirma que tem em mãos um dos maiores gênios da história das pranchas.
MARI FUKADA: A ESTREANTE QUE DESBANCOU LENDAS
No feminino, a história foi escrita por uma debutante. Mari Fukada, em sua primeira participação olímpica, não tomou conhecimento do currículo das adversárias. Em uma final onde a pressão subia a cada bateria, Fukada foi a definição de consistência.
Ela já havia "avisado" ao que veio na segunda descida, quando cravou 85.70, sendo a única a quebrar a barreira dos 80 pontos naquele momento. Mas a magia aconteceu na terceira e última tentativa. Sob o olhar atento da lenda neozelandesa Zoi Sadowski Synnott, Fukada voou para um 87.83.
Zoi, que sai de Milão-Cortina com duas pratas (Big Air e Slopestyle), tentou o tudo ou nada, mas seus 87.48 não foram suficientes para segurar a japonesa. O bronze ficou com outra estrela do sol nascente, Kokomo Murase, que já havia brilhado com o ouro no Big Air nesta edição.
Análise do PH: O Japão criou um sistema de treinamento em "halfpipes" e parques de neve artificiais que está gerando atletas com uma consciência espacial absurda. Fukada não erra o pouso; ela parece ter ímãs nos pés.
YIMING SU: O IMPERADOR DO SLOPESYLE
Se no feminino o Japão dominou em volume, no masculino o brilho foi da estrela solitária da China. Yiming Su conquistou o ouro em uma disputa decidida nos décimos de ponto contra o japonês Taiga Hasegawa.
Su garantiu a nota da vitória logo na primeira descida. É uma estratégia arriscada, mas que joga a pressão no colo dos rivais. Ele quase melhorou seu próprio tempo na terceira tentativa, mostrando que estava em total controle do percurso. Com isso, Su Yiming chega à sua quarta medalha olímpica na carreira (2 ouros e 2 pratas entre Pequim e Milão), consolidando-se como o rosto do snowboard moderno.
O pódio foi completado pelo americano Jake Canter, que garantiu o bronze e evitou um "apagão" total dos Estados Unidos na prova.
ANÁLISE ESPORTIVA, CULTURAL E POLÍTICA
A Geopolítica da Prancha:
Há dez anos, seria impensável ver um pódio de Slopestyle sem um norueguês ou um canadense no topo. Hoje, o norueguês Marcus Kleveland ficou apenas em quarto. O eixo do poder mudou. Politicamente, tanto a China quanto o Japão investiram pesado em infraestrutura após Pequim-2022, e o resultado é essa "invasão" asiática nos pódios europeus.
Cultura Urbana e Precisão:
O Snowboard sempre foi visto como o esporte do "estilo livre" e do relaxamento. Mas o que Japão e China trouxeram para Livigno foi a precisão robótica. Eles uniram o estilo exigido pelos juízes a uma execução técnica sem falhas. Culturalmente, isso está mudando a forma como os jovens desses países veem os esportes de inverno: não é mais apenas lazer, é alta performance de elite.
QUADRO DE MEDALHAS – SNOWBOARD SLOPESTYLE (DIA 12)
DISPUTA FEMININA
- OURO: Mari Fukada (JPN) – 87.83
- PRATA: Zoi Sadowski Synnott (NZL) – 87.48
- BRONZE: Kokomo Murase (JPN) – 85.80
DISPUTA MASCULINA
- OURO: Yiming Su (CHN) – Nota líder desde a 1ª descida
- PRATA: Taiga Hasegawa (JPN)
- BRONZE: Jake Canter (USA)
A cobertura do Portal Hora da Notícia continua! O Dia 12 está sendo um divisor de águas e as montanhas italianas nunca viram tanta técnica vinda do Oriente.
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