O CÓDIGO DA PISTA: Bindilatti decifra Milão e promete resultado "assustador" no 4-man.

Em sua última dança olímpica, o veterano do bobsled brasileiro revela ter encontrado o segredo das curvas iniciais; ao lado de Luiz Bacca, a confiança do "Blue Ice" é o combustível para superar o 20º lugar histórico.

Paulo Henrique Gomes e Carlos André (CONEXÃO MILÃO - RIO DE JANEIRO) | Portal Hora da Notícia
Publicação: quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026 | Horário de Brasília: 00:50/ Horário Local: 04:50
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Bindilatti promete resultado "assustador" no 4-man em Milano-Cortina 2026.

Se você quer entender o que é o "espírito brasileiro" nos Jogos de Inverno, esqueça as montanhas de neve por um segundo e foque no asfalto congelado da pista de bobsled. Acabo de sair da zona mista após conversar com Edson Bindilatti e Luiz Bacca, e a sensação aqui em Milão é eletrizante.

O Brasil terminou o 2-man (trenó de dois) na 24ª posição. Para muitos, um número frio. Para quem conhece o esporte, foi o ensaio geral para algo muito maior. Bindilatti não estava com cara de quem perdeu a final; ele estava com o sorriso de quem finalmente resolveu um quebra-cabeça de mil peças.

O Segredo das Quatro Curvas: A Ciência da Pilotagem

Pilotar um trenó a mais de 130 km/h é como tentar guiar um foguete dentro de um canudo de vidro. Bindilatti, em sua sexta e última Olimpíada, me explicou que a pista de Milão-Cortina tem uma personalidade difícil.

"As quatro primeiras curvas são o coração da corrida. Se você erra ali, o erro se propaga como um vírus até o final", analisou Edson.

A notícia que anima o torcedor brasileiro é que ele encontrou o traçado. A evolução do tempo entre ontem e hoje mostrou que o piloto brasileiro finalmente "domou" a entrada da pista. No 2-man, isso serviu para dar confiança; no 4-man (trenó de quatro), onde o peso é maior e a inércia é brutal, esse conhecimento vale ouro — ou, no caso do Brasil, vale um lugar inédito no Top 20.

O "Resultado Assustador": Ambição ou Realidade?

Luiz Bacca, o companheiro de trenó, estava visivelmente empolgado. Ele destacou o "push" (a largada explosiva onde os atletas empurram o trenó). Se o push encaixar com a pilotagem agora refinada de Edson, o Brasil mira superar a 20ª colocação de Pequim 2022.

A análise técnica aqui da Base Oficial é clara: o 4-man é a prova de força bruta do bobsled. É onde o Brasil tradicionalmente se sente mais confortável. Bindilatti foi enfático: "A gente quer fazer um resultado assustador".

Politicamente e esportivamente, isso é um recado para as federações internacionais. O Brasil não é mais o time do "Jamaica abaixo de zero" que está aqui apenas para participar. O Brasil de Bindilatti é uma equipe técnica, que analisa dados, estuda curvas e entra para incomodar as potências europeias.

A Filosofia do Veterano: Mentalidade de Pódio

Muitos criticam quando um atleta de um país sem neve fala em "pensar em medalha". Mas Edson rebateu com a sabedoria de quem carrega o gelo nas veias há duas décadas: "Se você entrar sem pensar em medalha, já entrou perdendo".

Essa mentalidade é o maior legado que Bindilatti deixará para o esporte brasileiro. Ele mudou a cultura do "coitadismo" para a cultura da performance. Ele sabe que a medalha é improvável, mas ele joga a pressão para o alto para que o resultado real — um possível Top 15 ou Top 18 — seja o melhor da história.

Bastidores da Base Oficial

O clima entre a equipe brasileira é de "missão dada é missão cumprida" nesta primeira fase. Agora, o foco total vira para o trenó maior. Ver Bindilatti, aos 46 anos, descendo aquela pista com a fome de um estreante é uma das imagens mais potentes destes Jogos de Milano-Cortina.

O bobsled brasileiro está pronto. O gelo de Milão que se prepare, porque o "Blue Ice" vem com tudo para a sua última e mais importante descida.

A cobertura do Portal Hora da Notícia continua! Edson Bindilatti provou que a experiência é a melhor bússola.

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