MÁQUINA ALEMÃ: o "wirtschaftswunder" no gelo de Milão termina em pódio triplo.

Sem dar chances ao resto do mundo, duplas da Alemanha ocupam os três degraus do bobsled 2-man; Paulo Henrique Gomes analisa a engenharia por trás do domínio e o recorde histórico do Brasil, mesmo fora da final.

Paulo Henrique Gomes, correspondente internacional, direto de Milão, Itália | Portal Hora da Notícia.
Publicação: quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026 | Horário de Brasília: 01:30/ Horário Local: 05:30.
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Alemanha brilha e domina o Bobsled 2-man, conquistando as medalhas de ouro, prata e bronze em Milano-Cortina 2026

Amigos do Portal Hora da Notícia, se você olhasse para o pódio do bobsled 2-man hoje no Estádio de Pista de Milão, poderia facilmente jurar que estava assistindo a um Campeonato Nacional da Baviera. O que aconteceu nesta terça-feira foi uma demonstração de força tão avassaladora que beira a covardia esportiva. A Alemanha não apenas ganhou; ela colonizou o pódio olímpico.

Lochner e Fleischhauer confirmaram o ouro que já desenhavam desde a primeira descida de segunda-feira. Mas a notícia não é apenas o metal dourado, é a eficiência industrial alemã transformando uma pista de gelo em um laboratório de supremacia.

A Cronologia da Perfeição: Do 54.68 ao Ouro Inquestionável

Acompanhamos aqui na Base Oficial cada centésimo de segundo dessa jornada. A Alemanha joga um jogo diferente dos demais. Enquanto outras nações lutam contra a pista, os alemães parecem fundidos a ela.

  • A Ascensão: Johannes Lochner e Georg Fleischhauer foram cirúrgicos. Abriram a competição com 54.68s e, a partir dali, a disputa passou a ser "Alemanha contra Alemanha".

  • O Paredão: Na segunda bateria, eles já tinham 0.80s de vantagem, uma eternidade no bobsled.

  • O Gran Finale: A quarta bateria foi apenas o desfile de gala. O tempo final de 3:39.70 selou o ouro, seguidos por Friedrich/Schuller (Prata) e Ammour/Schaller (Bronze).

"Não é só o atleta," comentei agora pouco com um colega da imprensa local. "É a tecnologia das lâminas, o túnel de vento e uma cultura política de investimento que trata o bobsled como a Fórmula 1 do inverno."

O Lado Brasileiro: Um 24º Lugar com Gosto de Vitória

Agora, vamos falar de Brasil, porque aqui no Hora da Notícia a gente valoriza o nosso suor. Edson Bindilatti e Luiz Bacca não chegaram à quarta bateria (reservada aos 20 melhores), mas fizeram história.

Ao fechar em 24º lugar, o trenó brasileiro registrou a melhor colocação da história do país no 2-man em Olimpíadas. Ontem eu falava sobre o "código da pista" que o Edson estava tentando decifrar. Pois bem, ele decifrou. A melhora de tempo entre as baterias de ontem e hoje mostra que o Brasil está evoluindo tecnicamente. Se o bobsled mundial fosse uma pirâmide, o Brasil hoje escalou degraus que muitos países com neve eterna não conseguiram.

Análise PH: O Significado Político e Cultural do "Varredura" Alemã

Por que a Alemanha domina tanto? Existe uma questão política de financiamento militar e estatal aos atletas de inverno que garante que eles não precisem se preocupar com nada além de descer o gelo. Culturalmente, o bobsled para o alemão é o que o vôlei é para o brasileiro: uma paixão técnica, metódica e vencedora.

Ver três bandeiras alemãs subindo simultaneamente no coração da Itália é um recado claro de que, no 4-man, eles vêm para repetir a dose. O resto do mundo — e o Brasil incluído — está correndo atrás de um trem-bala que parece não ter freio.

A SOBERANIA ALEMÃ E O ORGULHO VERDE-AMARELO

A imagem que fica gravada na retina de quem passou pela pista de gelo nesta terça-feira é a de um pódio tingido em preto, vermelho e dourado. A Alemanha não apenas venceu; ela estabeleceu um novo patamar de excelência. Lochner e Fleischhauer confirmaram o favoritismo absoluto, seguidos de perto pelos seus compatriotas Friedrich/Schuller e Ammour/Schaller. No bobsled 2-man, o mundo hoje foi apenas um espectador da "Fórmula 1" germânica.

Mas, enquanto o hino alemão ecoava, na zona mista o sentimento era de vitória para o Brasil. Pode parecer contraditório para quem olha apenas para os medalhistas, mas o 24º lugar de Edson Bindilatti e Luiz Bacca é um marco. É a melhor posição que o país já alcançou nesta categoria em toda a história dos Jogos Olímpicos de Inverno.

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