Sobrevivência, Botas Ilegais e o "Quase" Brasileiro: O Resumo do Caos em Milão.

Enquanto uns patinam entre quedas e outros perdem esquis no caminho, o Brasil crava mais um resultado histórico no gelo italiano.

Paulo Henrique Gomes | Direto das instalações do Portal Hora da Notícia – Milão, Itália | 14/02/2026 às 01:15 (Horário de Brasília) / 15/02/2026 às 05:15 (Horário de Milão).
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Boletim Olímpico do oitavo dia está pronto e você estará por dentro de algumas coisas que marcaram o sábado - Divulgação/HDN Esportes

Bom dia para quem está em Milão e boa madrugada para quem nos acompanha no Brasil! Se você acha que a sua vida está complicada, imagine ser um juiz de prova nestas Olimpíadas de Inverno. O sábado (14) foi uma sucessão de eventos que variaram do "absolutamente brilhante" ao "como é que isso aconteceu?".

Aqui no Portal Hora da Notícia, separamos os cacos de gelo e os esquis perdidos para te contar o que realmente importa.

1. Patinação de Velocidade: O "Last Man Standing" Neerlandês

A final dos 1500m masculino da pista curta não foi uma corrida; foi um teste de resistência psicológica. Com nove atletas no gelo — em uma pista onde sete já é um convite ao desastre — o resultado foi o esperado: quatro quedas.

Jens van ‘t Wout, dos Países Baixos, adotou a estratégia "fui comprar cigarro e não voltei": largou na frente, ficou por lá e evitou o boliche humano que se formou atrás dele. Garantiu seu segundo ouro (já havia vencido os 1000m) com o tempo de 02:12.19. O sul-coreano Daeheon Hwang provou que tem sete vidas: caiu, se envolveu em toques, mas ainda buscou a prata. O bronze foi para o letão Roberts Kruzbergs, que provavelmente é o homem mais sortudo da Letônia hoje.

2. Skeleton: Nicole Silveira no "Quase" Top 10

Nossa estrela do gelo, Nicole Silveira, encerrou sua participação no Skeleton com um honroso 11º lugar. Nicole melhorou sua marca de Pequim-2022 e agora detém o terceiro melhor resultado da história do Brasil em Jogos de Inverno (atrás apenas do fenômeno Lucas Pinheiro e da lendária Isabel Clark).

Nicole flertou com o Top 10, mas a terceira descida foi um pouco "rebelde" (58s11). Mesmo assim, ela se recuperou na quarta volta. Ficou a apenas 0s38 do décimo lugar. O ouro foi para a austríaca Janine Flock, que liderou a prova com a autoridade de quem não estava para brincadeira.

3. O Desastre Sueco e a Redenção Australiana

No esqui cross country (4x7.5km), a Suécia vencia com a tranquilidade de quem toma um fika (café sueco). Até que Ebba Andersson decidiu que um esqui era opcional, sofreu uma queda cinematográfica e despencou para o oitavo lugar. A Noruega, que não tem nada a ver com isso, agradeceu o presente e levou o ouro. As suecas, em um esforço hercúleo, ainda buscaram a prata.

Já no Dual Moguls (esqui estilo livre), a australiana Jakara Anthony viveu seu dia de fênix. Após cair na final do Moguls tradicional e ficar em 8º, ela voltou para o Dual e não deu chance para ninguém, batendo a americana Jaelin Kauf na final por 20x15. É o seu segundo ouro olímpico na carreira.

4. Saltos, Tiros e Pedras (de Curling)

  • Salto com Esqui: O esloveno Domen Prevc confirmou o favoritismo na rampa longa. O destaque, porém, foi a ironia do destino para o austríaco Daniel Tschofenig: foi desclassificado por usar botas irregulares. Aparentemente, o "dress code" olímpico é levado muito a sério.

  • Biatlo: A norueguesa Maren Kirkeeide deu uma aula de tiro: zero erros e ouro no peito no Sprint feminino.

  • Curling: No torneio de "xadrez no gelo", a Suécia (feminino) e a Suíça (masculino) seguem com 100% de aproveitamento. São os únicos que parecem não ter sido afetados pelo caos generalizado deste sábado.

O Veredito do Repórter

Se Milão-Cortina 2026 fosse um filme, o roteirista seria demitido por excesso de reviravoltas. Entre botas ilegais, esquis fugitivos e patinadores sobreviventes, o Brasil sai de cabeça erguida com o desempenho de Nicole Silveira. O gelo italiano continua firme, mas os nervos dos atletas estão derretendo.

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