Milagre em Milão: O Esquiador que Queria ser Ronaldinho e Acabou com o Ouro no Peito
De chuteiras para os esquis, Lucas Pinheiro conquista o primeiro ouro histórico do Brasil no Slalom Gigante e admite: "A ficha nem deu sinal de vida".
Paulo Henrique Gomes | Direto das instalações do Portal Hora da Notícia – Milão, Itália | 14/02/2026 às 21:15 (Horário de Brasília) / 15/02/2026 01:15 (Horário de Milão).
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| HDN na Itália traz mais detalhes e repercussão sobre a conquista da medalha de ouro do Lucas Pinheiro para o Brasil - Reprodução/HDN Esportes. |
Se você, caro leitor, ainda está tentando entender como um país que considera 15°C uma "frente fria polar" acaba de conquistar o topo do pódio no Slalom Gigante, saiba que não está sozinho. O próprio protagonista da façanha, Lucas Pinheiro, parece estar em um estado de negação contemplativa que nem o café mais forte da Lombardia conseguiria curar.
Na zona mista das Olimpíadas de Milão-Cortina 2026, o cenário era de puro delírio brasileiro. Enquanto jornalistas do mundo todo tentavam decifrar como o "país do futebol" produziu o homem mais rápido da neve, Lucas desfilava uma mistura de incredulidade e um brilho nos olhos que ele mesmo descreveu como um "sol eterno".
A Ficha que se Recusa a Cair
Abordado pela nossa equipe, Lucas foi sincero — e ironicamente lúcido para quem acabou de descer uma montanha de gelo em velocidades que fariam qualquer motorista de aplicativo entrar em pânico.
“Não, definitivamente não caiu a ficha ainda. Eu só estou passando entre uma entrevista e a outra, eu acho que nem estou aqui agora. Pergunte-me em alguns meses e talvez eu possa te responder”, afirmou, com o humor de quem sabe que acabou de quebrar a banca das casas de apostas.
Lucas parece estar vivendo um desdobramento astral. Para ele, colocar o sentimento em palavras é como tentar explicar a regra do impedimento para quem nunca viu uma bola: impossível. Ele prefere a metáfora solar, afirmando que a luz que o levou à vitória é a mesma que ele espera que inspire outros brasileiros a "ousarem seguir seu próprio coração", mesmo que esse coração insista em esportes que exijam roupas térmicas pesadas.
Do Pandeiro à Neve: O Sonho que Mudou de Endereço
O momento mais tocante da noite — e olha que o frio milanês faz qualquer um lacrimejar — foi a execução do Hino Nacional. Para Lucas, o som do hino não trouxe imagens de montanhas cobertas de branco, mas sim de gramados verdes e domingos de sol.
Ele confessou que seu DNA esportivo foi forjado na base do drible. "Eu não cresci querendo ser esquiador, eu cresci querendo ser jogador de futebol", revelou. Seus ídolos? Ronaldinho Gaúcho e Ronaldo Fenômeno. A ironia é deliciosa: Lucas queria ser o melhor do mundo com a bola nos pés, mas acabou sendo o melhor do mundo com tábuas presas aos pés.
O atleta relembrou que, aos seis anos, prometeu ao pai que seria o melhor jogador do mundo. "De alguma forma, virei um esquiador, mas pelo menos me tornei campeão", brincou. É a prova viva de que o brasileiro não desiste nunca, ele apenas recalcula a rota e troca a chuteira pelo esqui quando o GPS aponta para os Alpes.
O Filósofo das Pistas
Diferente da maioria dos atletas que citam "foco, força e fé", Lucas Pinheiro trouxe uma bagagem acadêmica inusitada para o topo do pódio. Ele afirma ter estudado mais sobre criatividade do que sobre técnica esportiva.
Em um mundo de atletas robóticos, Lucas é o "artista do gelo". Ele acredita que o diferencial está na diversidade e em buscar referências fora da bolha. Se Ronaldinho inventou o drible "elástico", Pinheiro parece ter inventado o "slalom criativo", encontrando linhas na neve que os europeus, criados em chalés suíços, jamais ousariam imaginar.
Análise do Repórter: Ouro Verde e Amarelo com Gosto de Gelato
O feito de Lucas Pinheiro é, sem exageros, o maior "pulo do gato" da história dos esportes de inverno. Ver um brasileiro subir ao lugar mais alto do pódio no Slalom Gigante é como ver um pinguim sambando na Sapucaí: é improvável, é esteticamente desafiador, mas é absolutamente maravilhoso.
O Brasil agora detém um título inédito e histórico. E enquanto a ficha de Lucas não cai, a nossa já despencou: temos um rei da neve, e ele tem a ousadia dos nossos craques dos gramados.

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