O Império do Gelo: França, Alemanha e Canadá Ditam o Ritmo em Milão-Cortina
Da estreia histórica do esqui de montanha ao "The Last Dance" de Jorrit Bergsma, o penúltimo dia de competições entrega dramas, recordes de longevidade e a soberania das grandes potências de inverno.
Paulo Henrique Gomes, correspondente internacional, direto da Base Oficial, em Milão | Portal Hora da Notícia.
Publicação: sábado, 21 de fevereiro de 2026 às 22:20 | Horário Local: domingo, 22 de fevereiro de 2026 às 02:20.
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| O Giro Olímpico traz algumas das competições que marcaram o penúltimo dia dos Jogos Olímpicos de Inverno Milano-Cortina 2026 - Divulgação/HDN Esportes. |
Aqui é Paulo Henrique Gomes, transmitindo diretamente da nossa central de inteligência no Portal Hora da Notícia, em Milão.
O café já esfriou, mas o clima aqui na Itália está em ebulição. Se ontem o dia foi dos donos da casa, este sábado, 21 de fevereiro de 2026, ficará marcado nos livros de história como o dia em que as potências tradicionais reafirmaram seu domínio, enquanto novas modalidades desenharam o futuro do Olimpismo.
Prepare o fôlego, porque o resumo de algumas competições disputadas hoje não é apenas sobre medalhas; é sobre a geopolítica do gelo e a consagração de lendas.
🏔️ Esqui de Montanha: A Marselhesa Ecoa em Bormio
A história foi escrita hoje. O esqui de montanha (SkiMo) fez sua estreia olímpica absoluta e a França não apenas participou; ela colonizou o pódio.
Emily Harrop e Thibault Anselmet levaram o ouro no revezamento misto com uma performance cirúrgica (26:57.44). O que vimos em Bormio foi uma modalidade que mistura a resistência do cross-country com a agilidade de uma corrida de obstáculos.
Análise Técnica: A França sai desta estreia com o "set completo" (Ouro, Prata e Bronze nas três provas disputadas). Isso mostra um investimento pesado da federação francesa visando já os Jogos de Alpes Franceses 2030. O domínio foi tanto que Harrop e Anselmet fecharam com quase 12 segundos de vantagem sobre a Suíça.
🎯 Biatlo: O Surgimento de uma Nova Rainha
Em Anterselva, a arena pulsava. Oceane Michelon conquistou seu primeiro ouro olímpico na largada em massa (12,5km).
O Drama: Michelon errou o último tiro e precisou cumprir uma volta de penalidade. Parecia o fim, mas a francesa mostrou um "gás" absurdo no quilômetro final, ultrapassando a tcheca Vobornikova e a compatriota Julia Simon.
Fator Cultural: O biatlo é quase uma religião nesta região da Itália, e ver uma dobradinha francesa no topo mostra que o eixo do poder na modalidade está pendendo fortemente para o lado de Paris.
⛸️ Patinação de Velocidade: O Vovô é de Ouro
Se existe uma imagem que define este sábado, é a de Jorrit Bergsma, aos 40 anos, cruzando a linha de chegada e saudando o público enquanto "mullets" de pelúcia eram jogados na pista.
O Feito: O neerlandês tornou-se o campeão olímpico mais velho da história da Largada em Massa. Ele e o dinamarquês Viktor Thourp deram um "nó tático" no pelotão, abrindo quase uma volta de vantagem.
Bastidores: Bergsma já tinha um bronze nestes Jogos, mas o ouro de hoje — sua 5ª medalha olímpica na carreira — o coloca no panteão dos imortais. O gesto da torcida jogando perucas de seu corte de cabelo icônico mostra como o carisma ainda vence o marketing no esporte.
🥌 Curling: A Folha de Bordo Volta a Brilhar
Após um jejum que vinha desde Sochi 2014, o Canadá recuperou o trono masculino. Sob o comando de Brad Jacobs, os canadenses bateram a Grã-Bretanha por 9 a 6 em uma final de xadrez no gelo.
Ponto de Virada: O nono end foi o "xeque-mate", com três pontos cruciais que quebraram o moral britânico.
Consolação Feminina: As mulheres do Canadá, lideradas por Rachel Homan, garantiram o bronze contra os EUA (10x7), assegurando que o país saísse de Milão com o orgulho restaurado no esporte das pedras de granito.
🛷 Bobsled: O Trem Alemão Não Para
No 2-woman, não houve espaço para zebra. Laura Nolte e Deborah Levi confirmaram o favoritismo absoluto e garantiram o bicampeonato olímpico.
Domínio: A Alemanha fez dobradinha com prata para Buckwitz/Schuten. É a eficiência germânica em sua forma mais pura: engenharia de ponta nos trenós e atletas que parecem máquinas na largada.
🏒 Hóquei no Gelo: A Honra Finlandesa
A Finlândia pode ter perdido a chance do ouro, mas não perdeu a classe. Golearam a Eslováquia por 6 a 1 para garantir o bronze.
Análise Política: A Eslováquia trouxe o time mais jovem do torneio, um projeto para 2030. Já a Finlândia jogou com o "sangue nos olhos" de quem queria provar que o revés contra o Canadá na semifinal foi um acidente. Sebastian Aho e Erik Haula (NHL) foram os carrascos.
🎤 O Olhar de Paulo Henrique Gomes
O que estamos vendo aqui em Milão é uma transição de eras. Vemos Bergsma se despedir no auge da longevidade, enquanto o Esqui de Montanha abre as portas para uma audiência mais jovem e ávida por esportes de aventura. A França termina o dia como a grande vencedora política e esportiva, pavimentando o caminho para seus próprios Jogos em 2030.
Amanhã é o "Super Sunday"! Teremos a finalíssima do Hóquei entre EUA e Canadá.

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